Trilho dos Pescadores - Porto Covo ➔ Vila Nova de Milfontes

Entre dunas e praias selvagens até Vila Nova de Milfontes

Rota Vicentina - Trilho dos Pescadores - etapa Porto Covo ➔ Vila Nova de Milfontes Este é o troço onde a costa se revela em toda a sua generosidade. Ao longo de cerca de 20 quilómetros, quem caminha entre Porto Covo e Vila Nova de Milfontes percorre alguns dos areais mais extensos e icónicos do sudoeste alentejano. Ilha do Pessegueiro, Aivados, Malhão: nomes que anunciam encontros com o mar, mas também pequenas enseadas escondidas, quase secretas, que parecem esperar por quem as descobre a pé. É um percurso exigente, isso sim. O esforço mora na areia solta e nos quilómetros que se estendem. Mas o cansaço é rapidamente compensado pela variedade de cenários que se sucedem a cada curva. Há praias abraçadas por falésias escuras e antigas, onde as rochas resistem ao tempo como sentinelas. Os pescadores locais chamam-lhes palheirões: ilhotas que a erosão esculpiu devagar. Há praias de calhau rolado, como a dos Aivados, onde as pedras foram moldadas pela paciência infinita do oceano. E há dunas fósseis que descem até à rebentação, recortadas pelo vento em formas quase rendilhadas, como na Praia do Faquir e na Praia do Farol. Depois, há o Malhão, onde a areia se estende em suavidade desde as dunas até à água. E há, finalmente, as bicas de água doce que brotam na praia, vindas da serra por caminhos subterrâneos, um fenómeno que empresta nome a Milfontes e que ainda hoje surpreende quem por ali passa. Entre março e junho, as dunas vestem-se de biodiversidade. A paisagem enche-se de cores, aromas e formas improváveis. As plantas que aqui vivem aprenderam a sobreviver em condições extremas: solo pobre, longos meses de seca, vento carregado de sal. Até o pinheiro, o alecrim e a esteva ganham aqui novos contornos, mais baixos, mais resistentes. Algumas espécies são tão raras que só existem nesta estreita faixa de costa.

Início: Porto Covo - No largo do Mercado Fim: Vila Nova de Milfontes - No posto de turismo na Rua António Mantas. Época aconselhada: setembro a junho. Desnível acumulado: +200 m, -180 m Elevação: mín. 0 m, máx. 50 m

Tipo: Grande Rota Linear

Distância: 20

Dificuldade: Difícil (nível IV)

Coordenadas GPS: 37°51'06.7"N 8°47'27.7"W